quinta-feira, 19 de maio 2022
Estádio Douradão que sofre com questões burocráticas para a liberação para se ter jogos e público. Foto: Cleber Soares/Dourados Esportivo

Futebol Sul-Mato-Grossense: Não se pode fazer omelete sem ovos

Postado em 26 de janeiro de 2022, por Cléber Soares.

Estamos a poucos dias do início de mais um campeonato estadual sul-mato-grossense, porém o quadro que se apresenta é como se estivéssemos vendo um filme de ficção cientifica, onde por alguma razão o tempo esta estagnado, e alguma força não o deixa prosseguir no caminho natural da evolução. 

A bola que ainda nem rolou nos nossos gramados pode até mesmo nem rolar, até por que ainda não se tem ao certo em quais gramados essa bola poderá rolar, causa primaria de qualquer atividade esportiva, que é o local do jogo. Muitos estádios seguem sem laudos, outros em processo de regularização, tanto na parte “burocrática” para as adequações que o estatuto do torcedor exige, quanto na parte física com estruturas precárias e gramados que mais se assemelham a um verdadeiro pasto.

Além dos problemas estruturais que assolam nosso futebol, as questões administrativas dos clubes também é um sério problema. E neste caso nem sempre é só o despreparo dos nossos cartolas, pois a falta de recursos e com a dificuldade de se recrutar novos investimentos, já que o produto que se “vende” não tem a qualidade compatível para autos valores, é um duro golpe de realidade do nosso futebol que atualmente ocupa o posto de 3º pior do país, de acordo com o Ranking Nacional de Federações da CBF 2021 (crédito: Campo Grande News). Neste quesito, bons e maus administradores sofrem de maneira igual, mesmo que o problema seja causado principalmente pelos maus.

Ivair Alves, hoje cronista esportivo, mas que já esteve como dirigente de futebol, em conversa informal, porém totalmente autorizado a citação, bem resumiu o que é o futebol em nosso estado, onde as verdades não duram 24 horas e o sistema é extremamente vorás, que devora qualquer boa vontade, planejamento, contratos assinados e acordos. Para a bola rolar é preciso mil assinaturas de pessoas que na sua grande maioria é indiferente com a causa esportiva, e seja por legalidade, ou simplesmente por não se comprometer, usa da lei fria das letras para que a lei seja cumprida.

É claro que Alves não quer burlar a lei, ou simplesmente ignora-la, a ideia é mostrar o quanto é complicado, pois a engrenagem é muito maior que simplesmente dois times rivalizando dentro de campo, e não adianta apenas boa vontade, seja dos dirigentes, seja da imprensa, seja do poder público, se houver ruído no planejamento por um todo, certamente este não irá funcionar, ou no máximo ira funcionar por apenas um tempo.

Um bom exemplo disso tudo é a situação de Dourados, onde o presidente do Dourados A.C, Marcos Araújo, que neste ano sai da condição de debutante para seu segundo ano na séria A do estadual, e com a difícil missão de melhorar a segunda posição alcançada em 2021, vem convivendo com os problemas que Ivair Alves bem disse. Com o estádio Douradão ainda interditado, e sendo um problema que foge de suas responsabilidades, e foge também da responsabilidade da atual administração da prefeitura local, já que isso é um imbróglio que se arrasta desde de 2019, com ações judiciais inclusive, Marcos Araújo sofre a pior parte desse “efeito borboleta”, pois não pode cumprir a risca o que ele mesmo disse, e por tabela o própria torcida douradense, assim como esporte em geral também sofre as consequências . Seguramente, mais sabedor destes fatos, o presidente Marcos não faria hoje o que fez ontem.

A questão é muito complexa, mas fato é que se o futebol sul-mato-grossense não se unir por um todo, e fazer um planejamento onde todos os clubes estejam inseridos e comprometidos com a causa, e que esse planejamento seja cabível à nossa realidade e não ideias malucas totalmente fora do nosso contexto o problema não vai se resolver. Se for preciso que sacrifica-se até mesmo uma temporada para que se tenha tempo para se colocar em campo o que foi planejado no papel. Que as categorias de base sejam  reativadas de verdade, e que essa base  seja maioria dentro de campo em um curto espaço de tempo. Uma competição organizada, planejada, e com pessoas sérias envolvidas, é certeza de bons frutos.

Não se pode fazer omeletes se não houver ovos. E se esses ovos não forem de boa qualidade certamente o gosto não será bom, assim como é nosso combalido e sofrível futebol sul-mato-grossense.

 

 

 

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